Uma “Casa longe de casa”.
Entidades de cidadãos e cidadãs que se organizam para defender direitos ou auxiliar no atendimento dos muitos problemas sociais são uma constante na história da humanidade e nós, da ASEF, somos um exemplo disto. Nossa associação, ao longo do tempo, tem conquistado muito para os trabalhadores de Furnas.
Agora, vamos imaginar o que seria uma associação que olha para um espaço ainda maior. Para crianças e famílias que necessitam de apoio hoje, para acreditarem que há um futuro!
Estamos falando de uma entidade que, sem ser muito conhecida, vem trabalhando desde 1994 para ajudar crianças e adolescentes que enfrentam as difíceis condições de tratamento do câncer e que precisam permanecer em nossa cidade, onde encontram os hospitais especializados.
Neste mês, aproveitando um evento que já é conhecido por muitos, nosso Jornal ASEF foi conhecer esta entidade. Fizemos uma visita à Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro, uma instituição que foi criada sob significativo nome de “Associação de Apoio à Criança com Neoplasia”.
Em poucas horas de visita, pudemos constatar o trabalho dessa entidade que tem como princípio acreditar na humanidade e no poder que temos quando cada um doa um pouco de si para que os que necessitam de ajuda possam contar com uma dose de amor e solidariedade.
Fomos conversar com Sonia Cardoso Novais Neves, presidente da Casa Ronald McDonald e precursora desta luta.
Jornal ASEF.
Para que nossos leitores tenham uma idéia completa do que significa a “Casa longe de casa”, podemos dizer que tudo começou com uma experiência pessoal?
Sonia.
Sim, começou com uma experiência pessoal quando precisei de tratamento para meu filho e fomos aos Estados Unidos. Isto aconteceu em 1989 e ficamos hospedados na Casa Ronald McDonald de Nova Iorque. Assim tomamos conhecimento desta iniciativa de apoio às crianças em tratamento contra o câncer. Meu filho não venceu a doença, mas abraçamos a idéia e procuramos dar continuidade quando voltamos para o Brasil.Jornal ASEF.
Então fundaram uma “Casa Ronald” aqui?
Sonia.
Não foi imediatamente. Primeiro começamos a trabalhar voluntariamente com crianças internadas no Instituto Nacional do Câncer (INCA) e, com o tempo, recebemos um convite para implantar aqui uma sala de recreação para aquelas crianças. O modelo foi o que tínhamos conhecido nos Estados Unidos e muitos voluntários foram se unindo nesta idéia. Nosso grupo virou, então, o “V-Criança”.Jornal ASEF.
Era só no INCA?
Sonia.
É, mas foi por pouco tempo porque, em 1991, a rede McDonald procurou a direção do INCA e ofereceu a promoção que todos já conhecem... a renda do McDia Feliz! Foi depois disto que surgiu a idéia de criarmos uma associação com diversos segmentos sociais para dar continuidade a este trabalho.Jornal ASEF.
Já existia uma meta?
Sonia.
Sim. A meta era propiciar condições dignas para essas crianças, além de apoio para o tratamento do câncer infanto-juvenil. Entendíamos que só através de uma união mais ampla, de uma associação, poderíamos proporcionar este apoio. Assim surgiu, em 1992, a Associação de Apoio à Criança com Neoplasia (AACN-RJ).Jornal ASEF.
O próximo passo foi criar a “Casa”?
Sonia.
Não foi uma coisa assim, automática. Foi um somatório de experiências. Nosso trabalho diário, com outros voluntários, com médicos, enfermeiros e outros profissionais que atuavam no INCA, mostrou que um dos problemas a serem enfrentados era dar ajuda às famílias que vinham para o Rio de Janeiro em busca de tratamento para suas crianças e não tinham onde ficar. Muitos aqui chegavam e não tinham como se hospedar durante o tratamento. Aí sim, vimos que a prioridade seria uma “casa de apoio”, ou a “Casa longe de casa”.Jornal ASEF.
Aí concretizaram a idéia?
Sonia.
Em 1993, quando foi realizado o McDia Feliz, a arrecadação foi doada para a AACN. Já tínhamos nossa meta e agora alcançávamos meios para isto. No mesmo ano, compramos o imóvel que abrigou a primeira “Casa” e, no dia 24 de outubro de 1994, foi criada oficialmente a Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro. Fomos a primeira no gênero da América Latina e a 162a no mundo!Jornal ASEF.
Você acha que foi importante a decisão de associar vários segmentos sociais?
Sonia.
Ah! Foi... Foi muito importante naquele início. A solidariedade naquele momento foi tão importante quanto a que temos agora, com os trabalhos dos voluntários e as doações de empresas e pessoas que continuam apoiando a idéia.Jornal ASEF.
Qual é o tempo médio de acolhimento, na Casa?
Sonia.
Em média, as crianças e os jovens ficam aqui cerca de 10 dias. Muitas chegam de outros estados e até de outros países. Nem sempre o tratamento é imediato. Algumas vezes as crianças chegam aqui sem condições necessárias para suportar a terapia e permanecem uns dias em cuidados especiais.Jornal ASEF.
Qual a capacidade de acolhimento?
Sonia.
Atualmente, podemos receber até 32 crianças. E mantemos 5 suítes especiais para crianças transplantadas que necessitam mais cuidados e isolamento.Jornal ASEF.
Além desse apoio da rede McDonald, com a receita do McDia Feliz, a Casa tem alguma outra receita ou ajuda?
Sonia.
Sim, temos um grupo de colaboradores que acompanha nossas atividades e sempre nos dá apoio. Quando iniciamos a construção do prédio atual, fizemos uma campanha e muitos doavam dinheiro comprando “simbolicamente” um tijolinho do prédio. Essas campanhas sempre são bem recebidas. Uma coisa importante de destacar é que toda a nossa diretoria é voluntária. Todos estão aqui pelo prazer de ajudar.Jornal ASEF.
São muitos voluntários ajudando?
Sonia.
Sim, temos uma equipe grande de voluntários. Desde psicólogos e professores até pessoas que doam uma parte do dia para fazer recreação com as crianças, acompanhar e atender nas necessidades diárias, etc.Jornal ASEF.
Há também uma preocupação com os familiares?
Sonia.
Sim, isto é necessário. Veja bem, as crianças ou jovens chegam aqui acompanhados por mães, irmãs, tias ou avós. O tratamento, como já disse, pode ser um pouco demorado. É preciso dar atenção, cuidar também do lado emocional das acompanhantes. Então, além do acompanhamento de psicólogos, temos atividades para ocupá-las e ajudar nesta fase difícil. Muitas acabam aprendendo uma profissão aqui.Jornal ASEF.
Pelo que vimos, a Casa Ronald está muito bem equipada e com cuidados modernos.
Sonia.
É, procuramos dar o melhor possível de conforto e um ambiente saudável. Mas também nos preocupamos com questões de economia e racionalidade. Por exemplo, parte das nossas necessidades de energia é suprida com painéis solares. E estamos projetando agora, já para a obra de expansão, um sistema de reaproveitamento de águas pluviais.Jornal ASEF.
Várias opções são oferecidas para tornar a estadia mais agradável.
Sonia.
Como vocês puderam ver, temos vários espaços destinados ao lazer das crianças e dos adolescentes. Aqui temos desde espaço para os muito pequenos, com ambiente para brincadeiras e pinturas, até um local apropriado para jovens que podem usar a internet ou a nossa biblioteca. E toda esta atividade é acompanhada por voluntários que supervisionam e ajudam. Em nenhum momento, em nenhuma parte da Casa, as crianças ficam sozinhas. Sempre há alguém acompanhando e ajudando.Jornal ASEF.
E o novo projeto?
Sonia.
Pois é. Com a renda do McDia Feliz deste ano pretendemos dar início ao nosso projeto de ampliar a Casa. Já temos o terreno ao lado do prédio atual e o projeto de arquitetura está pronto. Vamos dar um novo salto e poderemos receber até 68 crianças, com todas as comodidades e necessidades atendidas. Teremos novos espaços de lazer e salas de aulas.Jornal ASEF.
Sala de aula?
Sonia.
Temos um convênio com a prefeitura do Rio de Janeiro e professores da rede municipal dão aulas aqui, em espaço próprio, para as crianças não ficarem sem este tipo de assistência. Isto é bom para elas se sentirem inseridas socialmente.Jornal ASEF.
Voltando à promoção, como é que funciona?
Sonia.
No McDia Feliz, toda a arrecadação da venda do conhecido sanduíche Big Mac, abatendo os impostos, é repassada para as entidades que fazem parte do Instituto Ronald McDonald. Aqui no Rio de Janeiro, somos nós. Temos total controle sobre esta venda e a empresa McDonald nos encaminha todos os relatórios de vendas do dia. Recebemos também tíquetes para venda antecipada do Big Mac. São 1.500 tíquetes por loja McDonald e podem ser também adquiridos nas tendas que nossos voluntários montam.Jornal ASEF.
Só nos resta desejar sorte na campanha deste ano.
Sonia.
Obrigada. Contamos com a ajuda de vocês, na promoção e em outros momentos.


Foto
Fachada

Foto
Fachada

Projeto
de Melhoria

Voluntários
com as crianças

Recepção
da casa

Sala
de atividades