
Segundo o estudo “Integração Energética Regional
na América Latina e Caribe”, elaborado pelo Conselho Mundial
de Energia (World Energy Council), a demanda de energia global deverá
dobrar nas próximas quatro décadas, caso toda a população
mundial passe a ter acesso a eletricidade.
Mas é necessário fazer uma análise mais criteriosa
porque, falando das fontes de energia, o carvão tem reservas para
mais 200 anos e é utilizado, principalmente, na Rússia,
Índia e China. O petróleo, segundo estimativas muito otimistas
que não consideram a teoria do “Pico de Hubbert”, teria
reservas para mais 56 anos. A energia nuclear também está
presente em diversos países e, atualmente, existem 435 reatores
no mundo, com 370 GW de capacidade.
A geração hídrica representa apenas 7% do total do
planeta, mas é a matriz predominante no Brasil e necessita urgentemente
de definições para não atrasar os investimentos que
o governo vem fazendo.
Em primeiro lugar, a expansão do sistema elétrico nacional
está esbarrando em entraves ambientais e o país está
deixando de iniciar a construção de hidrelétricas
capazes de produzir cerca de 19,5 mil megawatts (MW) de energia nos próximos
anos, quase 20% da atual capacidade de geração brasileira.
De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
estão atrasados pelo menos 18 empreendimentos hidrelétricos,
que representam três vezes a potência das duas usinas do Rio
Madeira - Jirau e Santo Antonio - em Rondônia, as maiores obras
do setor em andamento. Jirau, com seus 3.300 MW de potência, deixou
de fazer parte da conta dos atrasados no início de junho, mas protagonizou
um episódio exemplar dos problemas vividos pelo setor elétrico.
Por semanas, a empresa Energia Sustentável do Brasil travou uma
queda de braço com os governos de Rondônia e de Porto Velho
em torno da mitigação do impacto am-biental. Enquanto isso,
a obra ficou parada. Só depois de se comprometer a pagar mais R$
114 milhões em ações para prefeitura e estado, a
obra foi liberada pelo Ibama.
E o outro lado deste problema é a questão do término
das concessões, que já trouxemos para debate no Jornal ASEF.
Segundo declarou o procurador da Agência Nacional de Energia Elétrica
(ANEEL), Ricardo Brandão, em entrevista concedida ao Canal Energia,
para resolver o problema do término das concessões e suas
renovações, seria necessário uma emenda constitucional,
aliada a uma lei ordinária! Ele esclarece que “a emenda constitucional
estabeleceria a possibilidade de prorrogação, condicionada
a novas exigências, como, por exemplo, prezar pela modicidade tarifária,
enquanto a lei ordinária estabeleceria a forma e os requisitos
dessa renovação”.
De uma forma ou de outra, é urgente o problema da renovação
das concessões, antes que uma armadilha nos faça cair no
vazio da geração. Isto, certamente, só atenderia
aos interesses dos que (lá no fundo) continuam alimentando o sonho
das privatizações no setor. Uma crise, causada pelos constantes
adiamentos na solução deste problema, seria um “presente”
para os que desejam o sucateamento do setor e a volta do discurso da privatização.
Rua
Real Grandeza - 219 - Anexo - Sala 302
Tels.: (21) 2579-3956 / 2286-2368
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