Há interesses em denegrir a CAEFE




Jornal ASEF. Quando você foi admitido em Furnas?
Sebastião. Fui admitido em 1967, oriundo da antiga Cia. Hidrelétrica do Vale do Paraíba (CHEVAP). Era a empresa responsável pelas obras da Usina de Funil e da Termelétrica de Santa Cruz. Em maio de 1968 cheguei a Chefe de Seção e em 1970 era Chefe de Divisão na Superintendência de Controle.

Jornal ASEF. Qual a sua relação anterior com entidades sociais e assistenciais dos trabalhadores de Furnas?
Sebastião. Esta história se mistura um pouco. Em 1971, seguindo uma política de atendimento aos seus empregados, Furnas criou a Fundação Real Grandeza. É importante destacar que a FRG foi criada com objetivo de ser uma “Fundação de Previdência e Assistência Social” e destaco que, na Circular 147.71 de Furnas, criando a Fundação, o Parágrafo 4 estabelecia que “Com o intuito de dar maior eficiência e amplitude aos planos assistenciais atualmente mantidos por Furnas, para seus empregados, nos campos da saúde, educação, alimentação, seguros, etc, os serviços correspondentes serão transferidos para a Real Grandeza, mediante convênios especiais, celebrados entre Furnas e aquela entidade, assumindo a mesma os encargos de prestar benefícios a seus filiados”.

Jornal ASEF. O que aconteceu depois?
Sebastião. Com a criação da FRG, houve uma tentativa de extinguir a CECREMEF. Esta história não está bem explicada, até hoje. Procurei a fonte dessa iniciativa, mas os diretores da empresa que tive oportunidade de questionar garantiram que não deram esta orientação. De toda forma, foi neste momento que iniciei minha participação, pois me engajei no grupo que queria defender a manutenção da CECREMEF. E fomos vitoriosos, tanto que a entidade está aí, grande e fazendo seu trabalho de ajuda aos empregados da empresa.

Jornal ASEF. Depois disto...
Sebastião. Já aposentado, comecei a participar da APÓS-FURNAS. Primeiro como diretor e, mais tarde, como presidente da entidade. Ali tive oportunidade de, junto com outros companheiros, defender os interesses dos aposentados e dos ativos junto à Real Grandeza. Creio que foi um importante espaço de atuação em defesa dos direitos sociais dos trabalhadores. E não podemos esquecer que, nesta época, nos envolvemos totalmente na campanha contra a privatização de Furnas. Foi uma luta árdua, mas que agora todos sabem ter sido correta.

Jornal ASEF. E a criação da CAEFE?
Sebastião. E 2.000, Fernando Henrique Cardoso sancionou duas Leis Complementares, a 108 e a 109, que mudaram esta relação das entidades de previdência privada. A partir daquela data, a Fundação apenas poderia prestar serviços visando a aposentadoria e a pensão dos funcionários de Furnas. Não poderia mais realizar serviços de assistência social e assistencial. Aí surgiu a CAEFE, para manter este atendimento e continuar servindo aos trabalhadores de Furnas.

Jornal ASEF. Quais os recursos da CAEFE, na data da criação?
Sebastião. Para atender seus compromissos, a CAEFE contava com a mesma estrutura econômico-financeira da Fundação. Ou seja, os recursos vinham das mesmas patrocinadoras. Até 2007, quando o Tribunal de Contas da União decidiu que Furnas e Eletro-nuclear não poderiam mais fazer este aporte. A partir daí a CAEFE precisou sobreviver dos seus próprios recursos, ou seja, as sobras de anos anteriores e as doações dos prêmios de seguros. Nosso Conselho Deliberativo já acionou as empresas, cobrando seus compromissos firmados, mas ainda aguardamos a decisão da Justiça.

Jornal ASEF. Nós já entrevistamos o Diretor de Administração da CAEFE, sobre o quadro atual. Mas gostaríamos de ouvir sua opinião sobre o quadro de funcionários da CAEFE.
Sebastião. Olha, tem muita gente aí que, por desinforma-ção ou por maldade, fica criticando o quadro de funcionários da Caixa. É preciso esclarecer que temos um quadro bem equilibrado e que, se comparado com outras entidades e instituições está muito bem representado.

Veja o quadro comparativo



Jornal ASEF. Como é a sobrevivência financeira da CAEFE?
Sebastião. A CAEFE sobrevive de recursos aplicados no mercado e outras receitas oriundas dos seguros em geral que totalizaram 7,895 milhões de reais, em 2008. Nossas despesas administrativas e com pessoal atingiram 6,406 milhões de reais, o que nos deixou com 1,5 milhão de reais para atender aos compromissos sociais e assistenciais que deveriam ser cobertos pelas empresas Furnas e Eletronuclear, como estava compromissado desde 1971.

Jornal ASEF. Uma análise do balanço da CAEFE seria favorável?
Sebastião. Certamente. Fechamos o balanço de 2008 com um Disponível de 16,427 milhões de reais e com créditos a receber de 4,274 milhões de reais. Nossa despesa global foi de 15,575 milhões de reais, para uma receita global de 14,621 milhões de reais. Se retirarmos desse déficit (1,026 milhão) as depreciações e amortizações, mais os 873 mil reais despendidos com os compromissos sociais, teríamos um superávit de 300 mil reais. Mas, se a CAEFE trabalhasse apenas administrando os seguros teria um superávit de 2,107 milhões de reais! Acho que é um resultado bem sólido.

Jornal ASEF. Os recursos que deixaram de ser aportados pelas empresas, Furnas e Eletronuclear, fazem muita falta?
Sebastião. Certamente que fazem. Os valores são muito elevados. O que as empresas deixaram de repassar à CAEFE já supera 15 milhões de reais. Ora, se sobrevivemos e conseguimos manter nossos atendimentos até agora, imagine se as empresas estivessem cumprindo com a palavra firmada em 1971!

Jornal ASEF. Agradecemos pela entrevista. Alguma mensagem final?
Sebastião. Os empregados de Furnas e da Eletronuclear devem saber da importância de cobrarem seus direitos firmados naquele acordo de 1971. Digo que não devem dar ouvidos a pessoas que estão interessadas em denegrir a imagem da Caixa para depois tirarem proveitos. Prestem atenção no que de fato acontece na CAEFE.

Rua Real Grandeza - 219 - Anexo - Sala 302
Tels.: (21) 2579-3956 / 2286-2368
Rua Real Grandeza - 219 - Anexo - Sala 302
Tels.: (21) 2579-3956 / 2286-2368