VVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVV













|
Por
Ernesto Germano Parés
No dia 25 de Fevereiro de 2000, Fernando Henrique Cardoso lançava
o seu salvador projeto para o setor elétrico nacional:
o Programa Prioritário de Termelétricas (PPT) que,
sem muitas avaliações, pensava em trocar a matriz
energética do país abandonando o tradicional e ainda
não completamente explorado potencial hídrico nacional.
Certamente que este projeto se encaixava “como uma luva”
no programa já em curso de privatizações
das nossas geradoras existentes.
E não faltaram “especialistas” e colunistas
para escrever que aquele era “considerado pelo setor como
o mais ambicioso projeto de geração de energia desde
a construção da usina de Itaipu, na década
de 70”. Ao todo, estima-se um investimento de US$ 8 bilhões
nestas usinas, dos quais o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) iria financiar até 30%.
O PPT deu no que deu! A maior parte daquelas termelétricas
licitadas sequer foi construída, muita gente ganhou financiamento
e lucrou com o programa sem jamais gerar um único megawatt
de energia, e o Brasil precisou esperar mais alguns anos para
ter um projeto novo para o setor, valorizando a geração
hídrica, mas sem esquecer as fontes alternativas.
A partir de 2003, no sentido inverso da política de FHC,
o governo passou a investir mais no setor elétrico e as
empresas estatais tiveram um papel predominante.
Espera-se que o Brasil chegue em 2022 com uma capacidade instalada
de geração de 160 GW (hoje é de cerca de
100 GW) e a hidroeletricidade continuará a exercer papel
expressivo. Mas a participação das usinas térmicas
não podem mais ser consideradas complementares ao sistema.
A tendência ao crescimento dos investimentos em longas linhas
de transmissão em corrente contínua, para aproveitamento
do potencial hidrelétrico da região amazônica
e o aumento da participação das térmicas,
tornarão o sistema de transmissão maior e mais complexo,
exigindo maior preparo técnico das empresas envolvidas.
O projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2010,
enviado pelo Ministério do Planejamento ao Congresso Nacional,
prevê R$ 94,390 bilhões o montante do Orçamento
de Investimento das empresas estatais federais. Isso representa
um aumento de R$ 14,7 bilhões em relação
à dotação orçamentária de 2009,
um aumento de 18,4%.
Deste total, as empresas do Setor Produtivo Estatal (Grupo Petrobras,
Grupo Eletrobrás e empresas) terão R$ 74,671 bilhões,
enquanto as do Setor Financeiro (Banco do Brasil, Caixa e demais
instituições) ficam com R$ 3,707 bilhões.
Outros R$ 16,012 bilhões são investimentos do Grupo
Petrobras no exterior. O setor de energia elétrica participa
com R$ 8,622 bilhões ou 9,1% do total do Orçamento
de Investimento das estatais. O Orçamento de Investimentos
das estatais engloba 35 programas, destacando-se 10 no setor de
petróleo, oito no setor de energia elétrica e seis
no setor de transportes (de responsabilidade das companhias Docas).
Nos quatro primeiros meses deste ano, a Eletrobras realizou investimentos
de R$ 1,053 bilhão, o que corresponde a 13% do montante
previsto para 2010. Entre as subsidiárias da Eletrobras,
Furnas aplicou o maior montante, no valor de R$ 222,027 milhões,
de janeiro a abril. Os recursos equivalem a 19,8% da previsão
orçamentária de R$ 1,121 bilhão. A Eletrosul
investiu no primeiro quadrimestre R$ 156,371 milhões, o
equivalente a 30,6% do plano de investimento de R$ 511,437 milhões
de 2010. A Chesf, por sua vez, injetou em seus projetos R$ 175,955
milhões, correspondendo a 16,3% dos R$ 1,078 bilhão
previstos para este ano.
No final de junho, a Fitch Ratings – agência internacional
de classificação de riscos – anunciou uma
revisão positiva com relação à Eletrobras
e Furnas. É claro que isto reflete o desempenho econômico
do país diante da recessão, de forma superior à
esperada. A Fitch não espera mudanças significativas
no rumo das políticas econômicas após as eleições
presidenciais de outubro.
No relatório divulgado, vemos que a classificação
de Furnas reflete o vínculo com a Eletrobras. Furnas é
uma das maiores companhias do grupo, representa aproximadamente
25% da capacidade instalada de geração do grupo
e 32% de sua cobertura de transmissão em quilômetros.
São dados irrefutáveis e que comprovam a necessidade
de voltarmos a debater o fortalecimento de Furnas, sua autonomia
e preservação de seus profissionais.
Voltaremos ao assunto.
|
|
|