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AINDA
SOBRE A CRISE
Dois anos depois de surgir nos Estados Unidos,
a crise financeira mundial continua impondo graves prejuízos
para os trabalhadores. Os grandes jornais brasileiros calam, mas
vejamos o que está acontecendo.
1) Inglaterra anuncia corte de gastos públicos. O primeiro-ministro
britânico, David Cameron, anunciou nesta terceira semana
de junho que seu governo está preparando um novo pacote
para cortar gastos públicos e reduzir o déficit
no orçamento do país. Sabe-se que o déficit
britânico já chegou a mais de 187 bilhões
de euros (cerca de 11% do PIB) e o corte de investimentos, neste
ano, deve chegar a 8,5 bilhões de euros.
2) 500 mil empregos ameaçados. Os cortes que o governo
britânico pretende aplicar para enfrentar o grave endividamento
do país elevarão o número de desempregados,
que passará dos 2,5 milhões atuais a cerca de 3
milhões, segundo novo relatório. A redução
do déficit dificultará muito a recuperação
do mercado de trabalho, adverte o relatório do Chartered
Institute of Personnel and Development (Instituto de Pessoal e
Desenvolvimento) do Reino Unido. O instituto prevê a perda
de meio milhão de postos de trabalho e calcula que o desemprego
chegará a 2,95 milhões de pessoas na segunda metade
de 2012, se mantendo perto desse nível até o ano
de 2015.
3) Alemanha vai demitir 10.000! A chanceler alemã, Angela
Merkel, anunciou o plano de cortes no orçamento do governo
dizendo que será “o mais dramático da história
da Alemanha”. Seu governo pretende poupar 80 bilhões
de euros, até 2014, e fará cortes na área
social. Uma das medidas já anunciadas vem provocando protestos
e gerando mobilizações: o governo vai demitir 10.000
empregados públicos e reduzir em 2,5% o salário
dos restantes. Os sindicatos estão advertindo que, se as
medidas forem adotadas, haverá resistência e greves.
4) Rússia vai demitir 20% dos seus funcionários.
O presidente da Rússia, Dimitry Medvédev, anunciou
que seu governo está elaborando um programa para cortar
20% do número de funcionários públicos no
país. Ele está orientando os membros dos ministérios
a prepararem planos para os cortes, estabelecendo a economia que
pode ser feita com as medidas. A Rússia se torna, assim,
mais um país a adotar a “onda” de redução
de orçamento que já inundou a Europa e vai se espalhando.
5) França prepara corte de € 100 bi até 2013.
O governo francês planeja reduzir seu déficit orçamentário
em € 100 bilhões até 2013 numa tentativa de
chegar ao limite de 3% do PIB estabelecido pela União Europeia,
informou no sábado (12) o primeiro-ministro francês,
François Fillon. Em maio, o governo francês anunciou
que iria congelar suas despesas públicas nos próximos
três anos, cortar os gastos com a máquina pública
em 10% e economizar outros € 5 bilhões com a eliminação
de benefícios fiscais.
6) Portugal corta até 1,7 milhão de pessoas de programas
sociais. O governo de Portugal anunciou um pacote de medidas que
restringem o acesso aos benefícios sociais, alegando necessidade
de reduzir os gastos públicos. As mudanças, que
começam a valer em 1º de agosto, têm o potencial
de atingir cerca de 1,7 milhão de portugueses que recebem
os principais subsídios: o programa de renda mínima
RSI (espécie de Bolsa Família português);
as ajudas familiares ligadas à gravidez e à educação;
e pagamentos de seguro-desemprego.
7) Japão também apela para “ajustes”.
O governo japonês anunciou nesta semana um “plano
de ajuste fiscal” para reduzir sua dívida pública
que já chega a 200% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O Japão vai fazer cortes violentos nos seus gastos sociais
durante os próximos 3 anos, para alcançar a meta
estipulada.
8) Desemprego mundial alcança recorde histórico.
Informe da Organização das Nações
Unidas (ONU) afirma que há 211 milhões de desempregados
hoje no mundo, o maior índice registrado na história.
Segundo a ONU, será preciso criar globalmente 470 milhões
de novos postos de trabalho nos próximos 10 anos só
para manter o nível do crescimento. “As condições
do mercado de trabalho seguiram se deteriorando em muitos países
e é provável que afetem negativamente a grande parte
do progresso obtido durante a década passada na meta de
conseguir trabalhos decentes”, diz ainda o informe.
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