A greve de dois dias dos ferroviários que atuam nos trens da Grande São Paulo e da capital, que aconteceu neste mês, atingiu também linhas privatizadas. Engraçado, certo?
Mais do que a defesa dos empregos e direitos da categoria, o movimento trouxe à tona uma questão que afeta toda a classe trabalhadora: a privatização tem significado precarização, aumento de custos e piora dos serviços públicos.
A mobilização dos trabalhadores pressionou o governo Tarcísio de Freitas/Republicanos a recuar. Em audiência no Tribunal Regional do Trabalho, o governo se comprometeu a enviar à Assembleia Legislativa de São Paulo um projeto de lei para garantir a realocação, em outros órgãos do serviço público estadual, dos trabalhadores das linhas ferroviárias privatizadas.
Mas a luta não termina aí.
Dias depois da concessão de uma das linhas à empresa Trivia-Trens, um curto-circuito na Linha 12-Safira provocou um incêndio e espalhou pânico entre passageiros que seguiam para o trabalho. Mais um exemplo dos riscos e do descaso associados à entrega de serviços essenciais à iniciativa privada.
Os casos da SABESP, da Enel e das linhas de trens e metrô privatizadas mostram uma lógica que precisa ser debatida: enquanto o setor privado busca ampliar seus lucros, a população enfrenta aumento de gastos, piora no atendimento e precarização das condições de vida e trabalho.
Lutar contra a privatização é lutar por direitos básicos.
E essa luta não pode ficar restrita às categorias diretamente atingidas. Para avançar, precisa se tornar parte das lutas gerais da classe trabalhadora.
Por isso, a volta da Axia (antiga Eletrobras) para as mãos do governo é uma questão urgente!
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